Londrina – Os joelhos roxos eram a marca registrada dos tombos que a aposentada Cleide Oliveira Souza, de 78 anos, levava em Londrina. A maioria das quedas ocorria na rua, quando ela saía de casa. Foi preciso até usar uma bengala para se apoiar durante a caminhada e ganhar um pouco mais de equilíbrio. Pesquisa do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Rio de Janeiro (Into) mostra que este problema atinge mais gente do que se imagina. Cerca de 65% de pessoas internadas no instituto em 2013 com fratura sofreram algum tipo de queda. Os idosos são as maiores vítimas, 53,5% de 1.034 pessoas entrevistadas. A maioria, 55%, caiu dentro de casa.

Especialista em traumatologia e ortopedia, o médico Rodrigo Egger, de Londrina, explica que a queda é a principal causa de perda de qualidade de vida na Terceira Idade. Além da imobilização, surge a dependência para fazer tarefas simples do dia a dia. "Quando a pessoa sofre uma fratura de quadril ou fêmur, por exemplo, tem-se uma fratura de urgência, com necessidade de operação o mais rápido possível. Isso é importante para que o paciente volte a andar logo", diz Egger.

O ortopedista assinala que a queda pode levar, inclusive, à morte. "Um paciente que fica muito tempo acamado pode desenvolver o risco de embolia, acidente vascular cerebral, trombose - doenças que ele adquire por estar acamado", pontua ele, ao observar que os idosos tendem a demorar mais tempo para se restabelecer.

A saída para evitar quadros como este é a prevenção, recomenda Egger. Manter o corpo ativo, por meio de exercícios, é uma das melhores armas para evitar quedas. Para isso, não bastam apenas caminhadas. "O bom seria musculação, porque ajuda a melhorar o tônus muscular do paciente. Mas sempre procurando um profissional que passe exercícios que não sobrecarreguem o quadril e joelhos do idoso", salienta.

Além da reabilitação física e atividades como ioga e Pilates, o médico indica banhos de sol pela manhã e no fim da tarde. A vitamina D, justifica, é essencial para a absorção do cálcio nos ossos. Em alguns casos, após consultar um especialista, pode ser necessário ainda a ingestão de medicamentos para inibir a perda de massa óssea.

Cleide, a personagem que abre esta matéria, preferiu aderir aos exercícios para parar de se machucar. Há quatro anos, ela investe em musculação terapêutica. Hoje, a bengala que estava se tornando companheira já pode ser deixada em casa durante os passeios. "Consigo me firmar bem e tomo ônibus, faço compras e serviços da casa sozinha", relata.

Egger alerta que é importante também adotar algumas medidas de segurança em casa para evitar as quedas, como reduzir o número de tapetes e usar calçados firmes. O cuidado com os tombos, reforça, deve ser ainda pauta de visitas domiciliares de equipes da Saúde da Família e da atenção de familiares e acompanhantes dos idosos. "A orientação precisa ser contínua", enfatiza.

CAMPANHA
O perigo das quedas se tornou neste ano tema de campanha do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Rio de Janeiro (Into). A ação, intitulada "Quedas: Todo o Cuidado é Pouco", visa mobilizar o público em geral sobre o risco.

De acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 424 mil pessoas morrem por ano no mundo devido a quedas. Deste total, 80% estão em países de baixa e média renda. De 30% a 60% da população com mais de 65 anos caem anualmente. De 40% a 60% destas quedas levam a algum tipo de lesão.