Com 10 anos de atuação, o ortopedista Marco Makoto alerta que no último ano as queixas por uso prolongado de tablets, smartphones e laptops cresceram de modo assustador. O perfil dos pacientes varia – de adolescentes a pessoas mais maduras, a lazer ou a trabalho – e nem sempre toda a verdade é dita pelo paciente no consultório. Mas, por meio de exames clínicos, histórico, ultrassom e até raio-x, fica comprovado que o corpo está pedindo socorro. "As pessoas chegam com dores nas mãos, nos punhos e tendões e isso acontece principalmente por conta da postura incorreta e do uso prolongado", enfatiza.

A contadora Erica Carvalho, de 31 anos, tem experiência no assunto - o uso demasiado da tecnologia passou a ser sinônimo de dor para ela. "Sentia a mão queimando e dor nas costas. Percebi que havia algo errado e procurei um ortopedista", conta. Foi dito e feito. O diagnóstico foi de que as dores eram consequência do uso prolongado de smartphones. Erica aprendeu a lição. Precisou de medicação e, mais do que isso, mudar seus hábitos. "Em casa, agora tem regra. Quando estamos reunidos, celular é deixado de lado e isso torna até o convívio mais saudável", dá a dica.

Ainda de acordo com Makoto, mudar a rotina é importante. "Esse é um assunto discutido mundialmente. Só para se ter uma ideia, a cabeça pesa em média de seis a oito quilos. Com a postura incorreta, aumenta a pressão de três a quatro vezes e isso pode resultar em problemas sérios, como hérnia de disco e artrose", explica. "Ter conhecimento dos males e se prevenir é sempre melhor. Dependendo do caso, é preciso de medicação, associar fisioterapia ao tratamento e, no caso das mãos, o movimento pode levar à inflamação dos nervos e tendinite. É importante equilibrar o uso e fazer alongamento sempre", dá a dica.

Andar e digitar ao mesmo tempo representa riscos. Foi numa dessas situações que uma paciente do ortopedista Marco Makoto se deu mal. "Ela tropeçou na rua, caiu e torceu o tornozelo." Foram três a quatro semanas de recuperação. Ela precisou de repouso, usar bota e alterar toda a rotina. "A tecnologia permite que se faça tudo ao mesmo tempo, mas é preciso se segurar porque pode ser uma armadilha", orienta.