Dependência de tecnologia pode ter impactos negativos a saúde dos adolescentes, como problemas articulares e até de ordem comportamental.

Posição curvada e estática aumenta em até três vezes o peso do crânio

Olhos atentos à tela a todo momento e em qualquer lugar. Nos dias de hoje, ninguém mais consegue imaginar como seria a vida longe dos celulares e tablets. A tecnologia está tão incorporada ao cotidiano das pessoas, que nada mais passa despercebido pela internet.

Já não é mais incomum, por exemplo, ir ao banheiro ou mesmo fazer refeições sem estar atento ao que acontece no universo virtual. E essa mudança de comportamento é tão real que se tornou foco de inúmeros estudos e pesquisas.

Enquanto muitos avaliam os impactos positivos, outros buscam respostas sobre o quanto essa condição pode comprometer nossa saúde. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou, recentemente, dados de um estudo que relaciona o uso de mídias tecnológicas com adolescentes.
Participaram 264 estudantes entre 13 e 17 anos, de escolas públicas e privadas de São Paulo. Os resultados revelaram que 68% sofrem de dependência moderada, sendo que 20% se enquadram como dependentes graves. Os índices tiveram como base o Teste de Dependência em Internet, desenvolvido pela pesquisadora americana Kimberly Young.

"Um dado bastante preocupante mostrou que metade (50%) dos participantes mencionaram checar ou enviar mensagens quando estão andando pela rua e mais da metade (66%) não olham para os dois lados antes de atravessar a via", acrescenta Denise De Micheli, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp.

Outra observação é que 65% mencionaram dormir pouco ou mesmo resistir ao sono para continuar on-line. Sendo assim, essa relação viciosa tem levado muitos jovens ao consultório médico.

Quem faz essa afirmação é o ortopedista e traumatologista Marco Makoto Inagaki que pelo aumento da demanda em seu consultório em Londrina, vem pesquisando essa relação com a tecnologia no aspecto ortopédico. "A posição de apoiar o aparelho mais próximo ao abdômen e a cervical flexionada, excessivamente, forçam demais as articulações. É a pior posição possível e o problema é que muita gente ainda não associa algumas dores articulares com o uso excessivo desses aparelhos", diz.

Para se ter uma ideia, essa posição curvada e estática aumenta em até três vezes o peso do crânio e força a musculatura da palma da mão, articulações e tendões do punho, antebraço, cotovelo e ombro.

"Isso em excesso pode causar uma série de problemas, entre dores, alterações posturais, desequilíbrio muscular e, às vezes, até sobrecarga excessiva nas articulações da coluna, que a longo prazo pode provocar problemas do disco vertebral e até uma artrose no futuro", completa.

Inagaki comenta que o primeiro sinal costuma ser a inflamação que se manifesta através de dor. De acordo com ele, as queixas mais comuns no consultório são dores no punho por digitação excessiva.

"Qualquer posição, por mais que não cause grandes problemas anatômicos, não é o adequado. Nosso corpo não foi feito para ficar em determinada posição por muito tempo", completa.

Em relação ao tratamento, há a prescrição de medicamentos em casos de inflamação, acompanhada de orientações para reduzir a frequência de uso dos aparelhos. Dependendo do quadro, a fisioterapia será necessária. "O melhor é o controle do uso. O ideal é não passar mais do que 20 minutos sem pausa. Se preciso, coloque alarme para lembrar de se movimentar um pouco", recomenda.